Entrevista com o DJ Dirty Noise (via EBEATZ)
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Dirty Noise vem sendo cada vez mais admirado pelo seu trabalho, tanto em suas apresentações ao vivo quanto em seus megamixes e mixtapes que tem sido grande destaque em blogs brazucas e gringos. O DJ gaúcho faz uma mistura de produção ao vivo com discotecagem, que ele a chama de “Live Remixes & Mashups”, já que faz muito uso dos recursos dos controladores midi que usa, tanto em efeitos rápidos e truques com loops, quanto em manobras que já lhe renderam um primeiro lugar num campeonato de DJs. Em dezembro passado teve alguns de seus remixes entre os primeiros lugares entre os favoritos do famoso site Hype Machine. Em sua agenda para este semestre estão uma turnê pela Argentina e Venezuela. Além disso, Dirty comanda um blog de música, o Stereolize, que inclusive foi um dos indicados pela DJ Mag como um dos melhores blogs de 2009.
Como tudo começou?
Em 1990 aos 14 anos tive minhas primeiras oportunidades como DJ em clubes sociais e festinhas de garagem. Venci um campeonato em 1996 e tive uma loja de discos nessa mesma época. Em 2003 dei um tempo na carreira pra me dedicar à carreira paralela de designer que tinha começado pela necessidade de fazer meus flyers. O amor à música nunca me deixou parar totalmente, então eu sempre tive alguns momentos, seja em alguma pequena festa ou em alguns trabalhos que fazia para distribuir pela internet e para amigos. Em 2008 decidi que deveria voltar a tocar, toquei em algumas festas, até que em 2009 larguei meu emprego de diretor de arte e voltei de vez a trabalhar como DJ.
Quais são suas principais influências musicais?
Essa pergunta me fez lembrar das minhas primeiras fitas K7 e nelas tinha Dead or Alive (eu era muito fâ), New Order, Depeche Mode e Erasure. Lembro que ouvia exaustivamente o disco Into The Dragon, do Bomb The Bass, que eu tentava copiar os scratches. Eu assisti diversas vezes aos campeonatos da DMC até o ano de 1991 e também tentava copiar alguma coisa.
Qual a noite (ou dia, porque não?) inesquecível de sua carreira?
Sem dúvidas foi no verão de 2001, numa casa no litoral do RS chamada IBIZA.
Essa casa era muito grande, eram várias pistas e eu toquei na pista chamada UK, onde rolava música eletrônica. Lembro que essa noite foi a mais lotada daquele verão, 16 mil pessoas. O DJ residente dessa pista era o Eduardo Herrera, simplesmente o meu ídolo como DJ na época. Estavam lá muitos queridos amigos DJs e a galera estava insana, foi um dos públicos que mais respondeu positivamente ao som que eu tocava na época, que era o techno. Após eu encerrar meu set de techno o Herrera pediu pra eu continuar, pois ele tinha gostado muito, a ponto de me convidar pra tocar mais na noite seguinte. Foi realmente muito legal.
Como você avalia o cenário da música eletrônica hoje?
Eu costumo dizer que antigamente existiam duas cenas: a comercial e a underground (a qual eu sempre pertenci).
Hoje existe uma terceira que a chamo de "mainstream", é nessa onde rola o dinheiro, podemos até dizer que essa é a nova cena comercial, por estar em maior evidência. Essa cena é muito focada em listas como a da DJ Mag.
A atual cena comercial está hoje digamos que "eclética", pois toca de tudo, do psy ao pagode, de Lady Gaga à Rebolation. A cena undergroud atual acabou com os problemas que tinha a música eletrônica da década passada.
Na visão de leigos, a música eletrônica era repetitiva e soturna demais, já hoje gêneros como o discopunk, o fidget house, o french house e nu disco trouxeram mais sentimento, mais melodia, mais vocal, mais alegria. A música eletrônica ficou mais divertida e acessível. Costumo citar o line up do festival I Love Techno de 2009 como referência, evoluiu.
O que você tem ouvido quando não está trabalhando?
Estou sempre trabalhando, para mim o trabalho do DJ não se restringe apenas ao momento em que está tocando, mas também na preparação para isso e nos trabalhos que cercam a sua carreira como suas músicas e mixtapes. Sempre ouço música eletrônica, as que baixei na noite passada, algum dj set ou simplesmente escolhendo músicas para a próxima festa ou para um novo trabalho como uma mixtape ou um megamix.
Estes megamixes, fale sobre eles.
No início da década de 90 quando começava minha carreira, ouvia muitos megamixes de muito sucesso desde os anos 80 como o Max Mix, Bolero Mix, Maquina Total e Dance Computer. Um megamix é como se fosse uma mixtape “encolhida”, as músicas tocam por pouquíssimo tempo, 1 minuto ou menos e as mixagens são muito rápidas. As edições são recheadas de efeitos, samples, acapellas, são bem complexos. O tempo de cada megamix é em média de 15 minutos. Um Minimix é a mesma coisa, porém menor, as mixagens são mais rápidas ainda.
Apesar de fazê-los no computador, procuro empregar o máximo dessa técnica em minhas apresentações ao vivo.
Como você descreve o seu som?
A um tempo atrás eu dizia que era "música eletrônica com pegada rock and roll", mas atualmente é impossível descrever, pois a cada semana está diferente, as vezes com influências disco, outras vezes mais techno por exemplo.
Procuro fazer algo em que o público não precise de um curso pra entender, é apenas pra dançar ou pular, cantar ou gritar e sacudir a cabeça.
Uma indicação musical.
Uma só é pouco, vou citar 10 artistas olhando na minha pasta principal.
Barretso, BeatauCue, Defeat, Felix Cartal, Grooveduds, Gtronic, Redial, The Phantom's Revenge, The Subs, o prodígio da produção de disco house aqui no Brasil, Kamei, com apenas 16 anos e claro, The Bloody Beetroots, os caras mais f*da atualmente.
Quando você sente que a pista está caindo, qual é aquela track secreta que levanta qualquer um?
Depende muito do tipo de público, não gosto de apelar pra músicas muito velhas ou algo muito comercial.
Warp, do Bloody Beetroots funciona sempre, desde que foi lançada em março de 2009 eu a toco e desde junho toco o remix que fiz pra ela. Por incrível que pareça eu ainda gosto muito dela.
Este foi um dos remixes que emplacaram no Hype Machine, conte-nos como aconteceu.
Fiz uma mixtape em novembro e dela surgiu a idéia para fazer um edit da música Escape, do Toxic Avenger, muitas pessoas me pediram essa versão e acabei passando para os amigos do blog Friends by Far. Este blog é listado pelo Hype Machine, uma vez estando lá, foi favoritado por muitas pessoas e ficou em 5º lugar.
O remix de Warp, do Bloody Beetroots teve o mesmo percurso, porém eu já havia produzido ele 6 meses antes e ficou em 6º lugar.
Como você se vê atualmente?
Em 1 ano e 1/2 de um "recomeço", toquei em festas muito legais como a Vive La Musique de Curitiba/PR, toquei no Havana Café que é uma casa muito legal de Caxias do Sul/RS, já tenho algumas pequenas conquistas como ter remixes em 5º e 6º lugar no site Hype Machine, algumas notas em blogs nacionais e internacionais e algumas pessoas que apreciam meu trabalho, aqui e lá fora. Estou muito satisfeito.
Próximos passos.
Assim como o DJ/produtor Edu K, eu fui convidado para fazer mixtapes exclusivas para um blog alemão.
Acabei de gravar a minha, mas o blog só será lançado na próxima semana, eu divulgarei em meu twitter quando estiver no ar. Eu já faço isso por aqui desde o início deste ano, tenho uma parceria com o site Style-a-holic que tem me rendido bons frutos. Pretendo também reformular o blog Stereolize, mudar o layout, buscar alguns colaboradores, pois cuidar disso sozinho não é nada facil. Outra idéia para o blog é de fazer um programa transmitido ao vivo, em vídeo, de diversos locais como uma festa ou a casa dos DJs convidados.
Sobre as próximas gigs, quais são os destaques?
No próximo dia 26/3 rola a primeira edição em Caxias do Sul da festa Shakin', projeto que toco desde o ano passado. Em maio tem a festa de aniversário do site Style-a-holic, em Vitória/ES. Em junho faço uma turnê pela Argentina, a começar pela província de Entre Rios, passando por outras cidades e finalizando em Buenos Aires. Em julho/agosto minha parada é na Venezuela.
É NÓISE!
http://www.myspace.com/maximaldirtynoise
http://stereolize.blogspot.com
http://twitter.com/dirtynoise
http://www.style-a-holic.com
Perfil no EBEATZ
http://ebeatz.ning.com/profile/DirtyNoise





